Mulher de Verdade

Programa Mulher de Verdade
        
         Uma pesquisa realizada nos anos de 1999 e 2000 permitiu caracterizar e apontar a magnitude da violência contra mulher no município, assim como evidenciou a necessidade de organizar serviços e fluxos para a atenção à mulher vítima de violência sexual e doméstica.
         Com a finalidade de garantir os direitos humanos da mulher vítima de violência sexual e doméstica foi implantado, em 2002 o Programa Mulher de Verdade, por meio da organização de serviços e fluxos de atenção à saúde da mulher, e da articulação com outros parceiros considerando as diversas necessidades relativas à saúde, à proteção social e à jurídica (delegacia e juizado), atuando assim nas áreas preventiva e assistencial.
          O programa visa acolher, reconhecer, atender, orientar, encaminhar mulheres vítimas de violência, garantindo atenção médica ambulatorial e hospitalar e o acompanhamento dos casos, minimizando a dor, evitando e intervindo sobre os agravos e consequências decorrentes da violência, como as doenças sexualmente transmissíveis, as sequelas físicas e psicológicas e a gravidez indesejada.
           As mulheres em situação de violência são atendidas conforme o Protocolo do Programa Mulher de Verdade. Cada profissional da equipe cumpre um papel específico no atendimento; no entanto, toda a equipe está sensibilizada para as questões da violência e capacitada para acolher e dar suporte a estas mulheres, utilizando esse Protocolo.
           Mulheres vítimas de violência sexual até 72 horas da agressão são encaminhadas para serviços hospitalares de referência (Hospital de Clínicas ou Hospital Evangélico) onde recebem, além dos cuidados referentes às lesões apresentadas, medidas de profilaxia para gravidez e DST/AIDS.  A humanização do atendimento é reforçada com a realização do exame pericial pelos peritos do IML no próprio hospital, no momento do primeiro atendimento.
           Os profissionais das unidades de saúde são continuamente capacitados para identificar os diversos tipos de violência contra a mulher e para a abordagem dos casos, visto que a mulher em situação de violência encontra-se fragilizada psicologicamente, necessitando de atendimento imediato, de atitudes de solidariedade e de respeito, para que se sinta acolhida e apoiada, estabelecendo um vínculo de confiança com o profissional e com a instituição,
           Durante a avaliação feita pelo profissional, uma ficha de notificação obrigatória é preenchida, sendo encaminhada ao Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, onde é digitada em banco de dados. Tais dados vêm permitindo acompanhar o fenômeno da violência de modo quantitativo e qualitativo, assim como avaliar e nortear as ações desenvolvidas.
          Todas as mulheres atendidas são informadas quanto aos seus direitos legais e são orientadas a procurar a Delegacia da Mulher.
          Outras opções de encaminhamento incluem o atendimento psicológico e psiquiátrico na rede de saúde mental do município, o apoio social (Fundação de Ação Social) e apoio multiprofissional (Centro de Referência e Atendimento à Mulher em Situação de Violência).
          Além da atenção aos casos de violência, o programa vem desenvolvendo diversas atividades de educação em saúde junto à comunidade, visando discutir o problema e as medidas de prevenção e de proteção, tendo como objetivo final o fortalecimento da autonomia das mulheres.


 Tipos de Violência contra a Mulher:

Violência Física: acontece quando a mulher é agredida intencionalmente com uso de força física, arma ou objeto, causando ou não danos, lesões internas ou externas no corpo. Violência física é qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal.
Violência Sexual: é qualquer conduta que obrigue uma pessoa a presenciar, a manter ou participar de relação sexual não desejada. Por exemplo, estupro, abuso sexual na infância ou na adolescência, sexo forçado no casamento, exploração sexual e outros. Também é considerada violência sexual a atitude que impeça a mulher de usar qualquer método para evitar a gravidez ou que force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição.
Violência Psicológica: é qualquer ato que cause dano emocional e diminuição de auto-estima, ou que perturbe o pleno desenvolvimento da mulher mediante insultos, xingamentos, humilhações, ameaças, chantagens, discriminações, isolamento e vigilância constante por parte do companheiro.
Violência Patrimonial: é qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.
Violência Moral: acontece quando a mulher se torna vítima de calúnia (é acusar de crime), difamação (é ofender ou desacreditar na presença de uma ou mais pessoas) ou injúria (é atribuir qualidade negativa que ofenda a dignidade ou decoro, mesmo sem testemunhas).
Negligência: é toda a forma de omissão ou falta de cuidados básicos, e atinge principalmente as mulheres idosas.


 Onde procurar orientação

              Se você tem conhecimento de que uma mulher sofre algum tipo de violência, encaminhe-a para a Unidade de Saúde mais próxima de sua casa ou para um dos serviços regionalizados da FAS. Lá, ela vai receber atendimento e orientações sobre seus direitos. Em caso de violência sexual, a procura pelo serviço de saúde deve ser imediata, para evitar uma gravidez indesejada ou uma doença sexualmente transmissível. Lembre-se que atualmente as mulheres têm todo o amparo da Lei Federal nº 11.340, de 07 de agosto de 2006, chamada de Lei Maria da Penha, que cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

    E, se você, mulher, é vítima de algum tipo de violência, procure ajuda.

Ligue para a Ouvidoria da Secretaria Municipal da Saúde: 0800-64-40041 ou para a Central 156 para saber onde encontrar a unidade de saúde mais próxima ou clique
Delegacia Especializada da Mulher de Curitiba: Rua Padre Antonio, nº 33, fone 3219-8600
Centro de Referência e Atendimento à Mulher em Situação de Violência: Rua do Rosário, nº144, fone: 3323-5314

Hospitais de referência para atendimento de vítimas de violência sexual com 12 anos ou mais, até 72 horas depois da agressão:
Hospital de Clínicas: Rua General Carneiro, nº 181, no Pronto-atendimento da Maternidade, fone: 3360-1826
Hospital Evangélico: Rua Augusto Stellfeld, nº 1905, 7º andar, fone 3240-5120


Campanha do Laço Branco

             Esta campanha ocorre no período denominado: 21 DIAS DE ATIVISMO PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER, que no Brasil tem início dia 20 de novembro até o término em 10 de dezembro. Neste período, acontecem algumas datas dignas de nota:
            Dia 20 de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra, instituído em 1978, que lembra a inserção do negro na sociedade brasileira e sua luta contra a escravidão. A data lembra o dia 20 de novembro de 1695, dia do assassinato de Zumbi dos Palmares, ícone da resistência negra ao escravismo e da luta pela liberdade.
            Dia 25 de novembro é um marco para as pessoas que enfrentam a violência contra as mulheres. Neste dia em 1960, três irmãs dominicanas: Patria, Minerva e Maria Teresa, que lutavam pela liberdade política de seu país, foram brutalmente assassinadas a mando do ditador, quando viajavam para visitar seus maridos na cadeia. Em homenagem a estas valentes irmãs, no dia 25 de novembro se comemora o Dia Internacional de Não Violência Contra a Mulher. Esta data foi estabelecida no Primeiro Encontro Feminista Latino-Americano e Caribenho realizado em Bogotá, Colômbia no ano de 1981. Mais tarde em 17 de dezembro de 1999, a Assembléia Geral das Nações Unidas também declarou 25 de novembro como o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, em homenagem ao sacrifício de Las Mariposas.
           Dia 1º de dezembro é o Dia Mundial de Combate à AIDS. A análise dos casos notificados de AIDS tem demonstrado que a razão de sexo masculino: feminino, (calculada dividindo-se o número de casos de AIDS em homens pelo número de casos em mulheres, diagnosticados em um ano determinado e possibilita avaliar qual sexo é predominante) diminuiu consideravelmente do início da epidemia para os dias atuais: em 1986, a razão era de 15,1:1, ou seja, para cada 15 casos em homens, havia um caso em mulher e, a partir de 2002, estabilizou-se em 1,5:1 (para cada 15 casos em homens, há dez casos em mulheres). Essa tendência de feminização da doença já é verificada em 16 Estados da União, mas chama a atenção principalmente no Maranhão, Paraná e Santa Catarina. Outro dado importante é a análise da razão de sexo em jovens de 13 a 19 anos. Nessa faixa etária, o número de casos de AIDS é maior entre as mulheres. A inversão ocorreu em 1998, com 8 casos em meninos para cada 10 casos em meninas e se mantém nesse patamar desde então. Os dados do Ministério da Saúde mostram que as meninas estão ficando mais descuidadas que os meninos. Em uma pesquisa realizada em 2008, 63,8% dos homens disseram ter usado camisinha na primeira relação sexual, enquanto para as mulheres o índice foi de 57,6%. Além disso, apenas 25,1% delas disseram ter usado preservativo em todas as relações sexuais nos últimos 12 meses com um parceiro fixo – para os homens, o índice foi de 36,4%.Mais informações acesse: http://www.sistemas.aids.gov.br/feminizacao
          Dia 06 de dezembro é a data da Campanha do Laço Branco, alusiva ao massacre de mulheres em Montreal (Canadá) quando 14 estudantes de Engenharia da Escola Politecnical foram assassinadas, em sala de aula, no dia 06 de dezembro de 1989, por um homem de 25 anos que separou mulheres para um lado da sala e homens para outro e executou todas as 14 mulheres. Em um bilhete encontrado em seu bolso o mesmo culpava as mulheres pelo seu fracasso e o de todos os homens. Este massacre tornou-se símbolo da injustiça contra as mulheres e inspirou a criação da Campanha do Laço Branco, mobilização mundial de homens pelo fim da violência contra as mulheres. No Brasil, a partir de 2007, este dia ganhou até uma Lei nº 11.489, de 20/06/2007, instituindo a data como a luta dos homens pelo fim da violência contra as mulheres.
          Dia 10 de dezembro é o Dia Internacional dos Direitos Humanos. No dia 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adotada pela Organização das Nações Unidas (ONU). A data lembra que a violência contra as mulheres é uma violação dos direitos humanos.

 

 

 logo mulher verdade   Faça o download do protocolo completo do programa Mulher de verdade em formato pdf aqui