Laboratório de Inovações em Atenção às Condições Crônicas

O aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis observado em Curitiba assim como a complexidade da atenção prestada aos portadores das mesmas é um grande desafio para a Secretaria Municipal da Saúde. Neste contexto, delineou-se, a partir de 2010, o Laboratório de Inovações em Atenção às Condições Crônicas (LIACC) que tem como objetivos principais: (1) produzir e disseminar conhecimentos relativos ao cuidado das condições crônicas pelas equipes de APS a partir do marco teórico das RAS; e, (2) desenvolver e experimentar soluções práticas e inovadoras, testando novos instrumentos para o cuidado, a gestão da clínica e a gestão do caso, aplicados pelas equipes multiprofissionais de APS no manejo das condições crônicas. O Cuidado Compartilhado, denominado CUCO pelo grupo condutor do LIACC, e o Autocuidado Apoiado, são tecnologias utilizadas no LIACC e testadas previamente em uma Unidade de Saúde do DS Cajuru. Nesta etapa de implantação do laboratório, foram sorteadas 6 Unidades Básicas de Saúde do DS CIC e Boqueirão. Com a avaliação dos seus resultados, ocorrerá a adequação e ampliação do processo para as outras UBS da rede pública.
O CUCO é um processo coletivo de atenção à saúde cujos objetivos são: empoderar os usuários para seu autocuidado; compartilhar informações sobre as condições crônicas; favorecer e apoiar a adoção de comportamentos saudáveis; monitorar as metas do plano de cuidado e as pactuações do Autocuidado Apoiado; fortalecer as relações entre os usuários e a equipe multiprofissional da APS; melhorar os resultados da atenção à saúde.
Consiste numa ferramenta de trabalho voltada à mudança de comportamento da equipe de saúde e dos usuários. Cada reunião inicia-se a partir das dúvidas, questionamentos e vivências dos participantes em relação à sua condição crônica. Ao compartilhar soluções de problemas para o alcance das suas metas, as pessoas estreitam seus laços de amizade e aprendem umas com as outras. As atividades são estruturadas de tal forma que a participação de novos membros no grupo pode ocorrer a qualquer momento.
No início da reunião, são estabelecidas as normas de convivência de forma colaborativa. Um membro da equipe de saúde levanta com os participantes quais são elas. Algumas normas gerais são: encorajar a participação de todos; dar opinião de forma aberta e honesta; perguntar (se não entender o que está sendo discutido); tratar um ao outro com respeito e consideração; ouvir atentamente os outros; tratar com confidencialidade as informações compartilhadas; ser objetivo (manter o foco) para que o trabalho possa começar e finalizar no tempo previsto e estar presente em todas as sessões planejadas sempre que possível.
Dúvidas e questionamentos são levantados, assim como os temas de interesse do grupo. Desta forma, é possível estabelecer uma agenda de futuros temas das reuniões. Nesta 1ª fase, o médico, enfermeiro ou outro profissional de saúde pode fazer comentários sobre as metas da atenção a uma determinada condição como o diabete e abordar aquelas que são mais desafiadoras para a maioria.
Desta maneira, é possível explorar o assunto amplamente, fazer as orientações pertinentes e levantar os principais problemas encontrados para o alcance dos resultados. É importante que todos compreendam que alcançar as metas da atenção tem como objetivo reduzir complicações da doença. No entanto, o alcance das metas resulta dos comportamentos adotados (estilo de vida) e estes dependem do conhecimento sobre a doença, da motivação para a mudança e do autocuidado.
As pessoas são estimuladas a expor suas potencialidades e dificuldades, trocar experiências entre si e relatar suas percepções em relação ao cuidado de si mesmas. Aquelas que fizeram pactuações anteriores podem comentar seus resultados. À medida que os problemas são relatados, o grupo é convidado a eleger pelo menos um, de preferência comum à maioria, para exercitar as possibilidades de solução em conjunto.
A segunda parte da reunião é reservada para as avaliações, que serão realizadas conforme preconizado nas diretrizes clínicas. Podem ser avaliados pressão arterial, peso, estatura no primeiro encontro, IMC (Índice de Massa Corporal), circunferência abdominal, lesões bucais, pé diabético, PHQ-2 e PHQ-9, insulina e outros.
Os dados do monitoramento devem ser anotados nas planilhas específicas (individual e de grupo) e servirão de subsídio para o estabelecimento ou repactuação do plano de autocuidado. Com o histórico dos usuários (resultado de exames, intercorrências, plano de autocuidado pactuado) em mãos, é possível elaborar ou repactuar o plano de autocuidado de forma colaborativa. As pessoas podem ser encaminhadas para outros grupos de atenção à saúde da UBS (reeducação alimentar, manejo do estresse, abordagem intensiva para cessação do tabagismo, seguimento farmacoterapêutico) e para avaliações ainda não realizadas como fundoscopia, planejamento familiar, saúde bucal, por exemplo. Quando necessário, é possível prescrever, solicitar exames e encaminhar para outras ações específicas de cada profissional.

Um dos produtos resultantes do Laboratório de Inovações no cuidado das condições crônicas na APS, coordenado pela OPAS/OMS Brasil e Conass, por meio da parceria com CONASEMS, SMS de Curitiba-PR, SES Paraná
e apoio do Ministério da Saúde, é a publicação sobre a experiência na UBS Alvorada.

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