Campanha alerta população de Curitiba para prevenir doença renal crônica
O rim, órgão do corpo humano localizado em ambos os lados da coluna vertebral, desenvolve papel imprescindível à vida. Entre as suas principais tarefas, está a filtragem do sangue em cujo processo remove os resíduos tóxicos da circulação que são resultantes do metabolismo corporal, como ureia, creatinina e ácido úrico.
O órgão é tão importante que ganhou um dia para chamar de seu, 13 de março, Dia Mundial do Rim. Para marcar a data, nesta quinta-feira (13/3), foi realizada uma feira com exames gratuitos na Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho, na praça de mesmo nome, no bairro Rebouças.
Circuito da saúde
A Pró-Renal, em parceria com o Sistema Fecomércio Sesc Senac preparou um circuito com diversas atividades, como aferição de pressão arterial, peso e altura, glicemia, exame de urina, microalbuminúria, atendimento médico e multiprofissional, além de educação lúdica e jogos. Também foi realizada triagem dos grupos de riscos, avaliação clínica com exames básicos ofertados gratuitamente e avaliação médica. O público foi atendido com a distribuição de senhas por ordem de chegada.
Alerta para a população
A autoridade Sanitária da Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho, Ester do Nascimento Ribas, destacou a importância de fazer esse alerta para a população.
“O cuidado precoce deve acontecer sempre, para evitar complicações. Uma pessoa com diabetes vai ter problemas renais se não se cuidar. Esse paciente, quando descobre, muitas vezes já tem um grande comprometimento da função renal e posteriormente visual e de outros órgãos e sistemas”, alertou.
A US Ouvidor Pardinho deu apoio à Pró-Renal nas eventuais emergências durante o atendimento.
Campanha em 150 países
De acordo com Sérgio Bucharles, médico nefrologista do Hospital das Clínicas e integrante da Fundação Pró-Renal, o evento anual foi criado há 19 anos pela Sociedade Internacional de Nefrologia (ISN) e a Federação Internacional de Fundações do Rim (IFKF).
A campanha mobiliza milhões de pessoas em mais de 150 países para conscientizar sobre a saúde dos rins, educar e alertar principalmente sobre a importância da prevenção, com o objetivo de reduzir a frequência, o impacto e os problemas associados à doença renal.
“A doença renal crônica é uma das principais causas de morbidade e mortalidade na população. Ela é potencializadora de dano principalmente para doenças cardiovasculares e muitos pacientes que têm perda de função renal não sabem sequer que têm esse tipo de problema”, explicou.
Exames podem evitar o pior
A identificação dos males do rim é feita de forma simples, através da realização de exames de creatinina e exames de urina simples que fazem o rastreamento da doença renal crônica.
Os exames preventivos são importantes porque muitos indivíduos não sabem que têm a doença. Isso porque ela evolui nas fases iniciais de forma totalmente assintomática, até atingir as fases mais agudas que podem implicar na falência dos rins e obrigar o paciente a fazer diálise.
Uma vez identificada de forma precoce, existem procedimentos terapêuticos que consegue frear o processo de desenvolvimento da doença renal e assim evitar que ela se instale nas formas mais graves.
170 mil fazem diálise
O médico Sérgio Bucharles explicou que os exames preventivos focaram, além da saúde renal, as condições cardiovasculares do paciente, presença de diabetes ou algum outro problema de saúde relacionado aos rins que ainda não foram identificados pelos pacientes. O objetivo é identificar e evitar que a doença renal evolua na sua forma mais crítica.
“Hoje no Brasil há aproximadamente 170 mil pacientes em terapia dialítica crônica. Para cada paciente em diálise, estima-se que há outros 30 a 40 brasileiros com doenças renais crônicas e muitos deles não sabem. Para a gente evitar que o paciente chegue em terapia renal substitutiva, dialítica, que é um procedimento custoso, penoso para o paciente e com uma série de consequências, nós precisamos prevenir”, recomendou o médico.
Mulheres conscientes
Ivete Aparecida dos Santos Dias, moradora no bairro Alto Boqueirão, não pensou duas vezes quando soube da campanha pela TV dos ônibus para cuidar da saúde dos rins, na Praça Ouvidor Pardinho. “A minha mãe já perdeu um rim. Atualmente ela faz tratamento”, explicou Ivete.
Além do caso na família, ela contou que não gosta de ficar na dúvida quando o assunto é saúde.
“Teve uma época em que eu tive muita dor na coluna. Resolvi investigar, fiz exame e na verdade era uma infecção nos rins que causava o desconforto. Tratei o problema e foi resolvido. Hoje estou aqui para fazer exames de prevenção”, disse Ivete.
Lúcia Opaloski, que mora no Cajuru, também descobriu o evento pela TV Ônibus e resolveu aproveitar a oportunidade.
“Quando eu era jovem tinha ácido úrico, mas independente disso faço exames todos os anos e eu vim aqui também aprender um pouco mais como cuidar da saúde”, disse.
Receita mágica
A “receita mágica” para passar longe da doença renal crônica é basicamente a mesma que preserva a boa saúde geral dos indivíduos: adoção de hábitos de vida saudáveis que incorporem o combate à obesidade, evitar álcool e tabaco e praticar atividades físicas.
“A Organização Mundial da Saúde e as diversas especialidades e sociedades nacionais recomendam que todos nós façamos no mínimo 150, 180 minutos por semana de atividades físicas regulares, isso pode envolver caminhadas, atividades em academia, natação, hidroginástica. Ou seja, sair de casa, se movimentar, tudo isso é importante em prevenção de diversas complicações crônicas de saúde”, disse o médico.